Resenha sobre o Livro ‘Os Bruzundangas’, Lima Barreto, Afonso Henrique de

1 – Identificação da obra.

1.1. Lima Barreto, Afonso Henrique de, 1881-1922, Os Bruzundangas – Coleção L&M, 2010. 160p. ; 18cm, v. 89

2 – Comentários gerais

O contexto histórico da década de 20, no Brasil, é marcado pela carestia dos produtos e insumos para a população interna, enquanto que as vendas dos mesmos produtos para o exterior, saiam por menos da metade do preço. Percebia-se uma supervalorização das relações exteriores nos negócios pois, o país tinha seus principais consumidores os Estados Unidos, principalmente na cultura do café.

Na obra “Os Bruzundangas”, Lima Barreto satiriza um país no qual vivia de aparências. Supervalorizava títulos, as diretrizes governamentais não eram pautadas no bem-estar de população mas sim, para atrair imigrantes, mão de obra especializada para trabalhar na agricultura, indústria, visto que, a maioria da população interna era analfabeta e formada por ex escravos.

Como a maior parte da população não era alfabetizada, os cidadãos que conseguiam tais títulos, sejam por esforço próprio, ou mesmo comprados, tinham prioridades para assumir cargos no governo, acumulá-los mesmo sem ter a devida competência técnica.

Desta forma, as mesmas famílias iam permanecendo no poder e dando continuidade através dos seus filhos e demais parentes.

Hoje, no Brasil, ainda é notório as indicações a cargos públicos e, em muitos casos, os indicados não têm competência técnica para assumir tal posição. Este artifício continua sendo vestígio do antigo voto de cabresto – à época dos coronéis, uma moeda de troca, visto que, trata-se de troca de favores pelo “reconhecimento” do político ao seu “cabo eleitoral” ter-se esforçado o bastante para elegê-lo. Assim, ainda é muito presente a cada período eleitoral a compra de votos, refletida tanto por promessas de cargos públicos, “prioridade” nas licitações, dinheiro, pagamentos de cestas básicas, pagamento de água, luz, cirurgia dentre outras.

O livro trata que os cidadãos possuidores de títulos de graduação, caso cometessem crimes teriam direito a prisão especial, porém, nunca condenados. Hoje, este cenário vem se modificando visto que investigações por corrupção estão sendo realizadas de forma que aos poucos, bandidos conhecidos como “colarinho branco” estão sendo julgados e condenados a penas, outrora como não ocorria em nosso país.

A nobreza de palpite relatada pelo autor trata-se da classe pobre, das minorias, dos esquecidos. Hoje, com a tecnologia, essas vozes antes abafadas, manifestam-se pelas redes sociais, têm ferramentas possíveis para mudar o poder, apesar de insipientes.

Por outro lado, muitas notícias veiculadas que documentam a “nobreza de palpite”, ou seja, a classe pobre, refletem as diferenças sociais e a falta do Estado na manutenção da paz social.

Infelizmente, na grande maioria, as notícias tratam de violência e, seus principais atores, normalmente, são jovens, pobres e negros envoltos no mundo do crime, sem perspectivas e sem dignidade ficam à margem da população. Esquecidos, igualmente como identificados pelo autor à sua época que se preocupava como seria o futuro? E hoje, deparamo-nos com o futuro outrora visualizado, ou seja, uma sociedade impotente, na qual o Estado não cumpre o seu papel de prover o Bem-estar social dos seus cidadãos, assim sendo, deixa vácuos na sociedade e estes vêm sendo preenchidos por forças paralelas que crescem dia após dia. O chamado poder paralelo. Poder este que coloca em check a soberania do Estado e o respeito às instituições.

No contexto histórico da Obra os Bruzundangas, o país passava por um processo pré-modernista, onde predominavam as populações rurais, tendo em sua maioria cidadãos pobres, negros, ex. escravos e analfabetos.

Nas zonas urbanas, nas capitais também não eram muito diferentes porém, eram notáveis as transformações, mesmo que ilusórias, um certo ar de refinamento e desenvolvimento, já contando com saneamento, novas tecnologias com a implantação das indústrias, desenvolvimento da imprensa, do rádio, da publicidade. Para tudo isso funcionar e se desenvolver eram necessárias pessoas alfabetizadas e instruídas.

Naquele momento, a maior parte da população era analfabeta, sendo assim, buscava-se atrair imigrantes especializados para suprir às necessidades de desenvolvimento quer fossem nas áreas rurais ou zonas urbanas.

Propagandas e publicações eram enviadas para o exterior a respeito do país. Ressaltavam-se as suas belezas naturais, a cultura e boa perspectiva de vida e crescimento profissional.

A vinda dos imigrantes para o país foi de suma importância para o desenvolvimento porém, os problemas internos como o analfabetismo perdura ainda hoje, sendo um dos fatores de suma importância para elevar o nível de pesquisa e desenvolvimento da sociedade.

Enquanto que naquela época, preocupou-se em importar mão de obra especializada poder-se-ia ter qualificado a população interna, quando não o foi feito à velocidade necessária, os problemas com a falta de investimentos na área da educação refletem-se até os dias de hoje, onde o Brasil dispõe de parte da sua população analfabeta funcional, dificultando o desenvolvimento, pois para crescer, necessita de cidadãos críticos, pensantes, técnicos, especialistas capazes de otimizar procedimentos, melhorar processos em todos os setores primários, secundários e terciários.

O Brasil ainda hoje é um país rico prevalecendo a sua economia nas commodities, visto que, o seu território e clima são favoráveis ao gênero. A ideia da abundância dos recursos naturais nesta terra sempre foi presente porém, os últimos anos foram marcados por crises nos setores energético e hídrico, baixo crescimento do produto interno bruto e aumento no desemprego e, a crise política pondo em evidência o próprio Governo.

O Brasil é um vasto país e isto é um dos fatores que dificulta de as minorias e desfavorecidos revoltarem-se em prol de suas causas, de defender seus direitos, de buscar diminuir as desigualdades sociais, de lutar contra a criação e aumento de impostos abusivos, reduzir inflação – diminuir carestia dos produtos, combater os abusos do Poder, o qual concede regalias e cargos para uma classe, não atendendo às necessidades básicas da população, ou seja, lutar pelo desejo do Bem-estar social para todos.

A história registra na década de 20, diversas manifestações e princípios de revoluções que logo perdiam forças por diversos fatores como o tamanho do Estado e principalmente os interesses dos participantes dos movimentos que de quando em quando se beneficiavam do Poder. Assim, devido às instabilidades sociais, alguns conflitos e movimentos ameaçavam o Governo, onde este logo entrava em ação evitando que os movimentos avolumassem-se e tomassem grandes proporções ao ponto de ameaça do Poder. Assim sendo, importantes movimentos surgiram em diversos Estados do País como no Nordeste, com Antônio Conselheiro, mesmo com ideais religiosos, ameaçavam o governo, o movimento dos Cangaceiros, a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, ambas no Rio de Janeiro, greves operárias em São Paulo, Guerra do Contestado – Paraná e Santa Catarina e a própria luta de forças entre os Estados de Minas Gerais e São Paulo – República Café com Leite e a alternância de poder governamental e como movimento importante à época, após o Livro Os Bruzundangas, surge o movimento Tenentista que ganhou grande proporção dos militares, pondo fim à primeira República e dando início à nova República com Getúlio Vargas.

Por sermos um país onde a educação ainda não é o forte, ainda falta muita consciência política na população, consciência de conhecer os nossos direitos, deveres e o Papel do Estado.

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Livro – Sociologia e Sociedade Pós Industrial (Paulo Sérgio do Carmo) Capítulo III – Karl Marx e o Conflito Social

Marx, (1818-1883), alemão, historiador, filósofo, jornalista e economista acreditada que somente através da revolução social seria possível melhorar a vida dos trabalhadores.

Em sua obra ‘O Manifesto Comunista’ apresenta como objeto central, a análise do funcionamento do capitalismo e sua evolução, tendo como tese de defesa e solução para a sociedade um sistema baseado na propriedade social e coletiva. A obra enfatiza não a necessidade de lutar por melhores salários, mas sim, o desejo de acabar, abolir a propriedade privada e os meios de produção. Sinalizava a importância de os trabalhadores criarem e participarem de partidos políticos a fim de mudar as leis que só beneficiavam à classe burguesa, as elites.

Para Marx, a luta de classes é o motor da mudança política e, somente através da revolução dos trabalhadores seria possível destruir um governo burguês, o poder do Estado, eliminando a propriedade privada para assim, se estabelecer a ditadura do proletariado. Sendo que, inicialmente, ainda assim haveriam desigualdades, mas a política, o exército e a burocracia não seriam mais necessários à sociedade.

Para Marx, a classe social dominante, a burguesia exerce total influência nos meios de comunicação em massa, desde os assuntos a serem abordados nas escolas, propagandas midiáticas a cultos religiosos. Incutindo a sua visão de mundo naturalmente sobre os oprimidos “atenuando” os conflitos, de certa forma, apenas sufocando os anseios de revolução da sociedade, ou seja, tornando tensa a convivência social.

Ele desejava uma sociedade socialista, comunitária, sem divisões de classes sociais e sem desejo individual de enriquecimento, sem conflitos e, em perfeita harmonia. Porém, na modernidade, com o avanço tecnológico, percebem-se que muitas profissões estão deixando ou deixarão de existir e Marx também já sinalizava preocupação com o contingente de trabalhadores sem colocação no mercado, de forma que também com um grau maior de desempregados, os capitalistas não teriam mercado consumidos e assim, chegariam à falência dos seus negócios.

Outro conceito central no sistema capitalista além da mais valia é o fetichismo da mercadoria. O desejo que um indivíduo tem em adquiri-lo, em se sentir ‘incluído’ por consumir determinada marca. Para Marx, o fetiche oculta a essência do valor do bem, da exploração na sua produção, impedindo que os trabalhadores percebam na economia uma realidade que eles criaram. Assim, o trabalhador torna-se um alienado, pois não se reconhece no resultado daquele produto, ou objeto de desejo, de fetiche.

Apesar de todas as consequências do sistema capitalista, Marx reconhece a importância do trabalho do homem na sociedade, pois transforma a natureza e satisfaz as suas necessidades, desde que a atividade laboral seja criativa e produtiva contribuindo para o desenvolvimento e aprimoramento do homem no seu meio e de maneira que não o deixe alienado.

Livro – Sociologia e Sociedade Pós Industrial (Paulo Sérgio do Carmo) Fichamento dos Capítulos I – Uma Ciência Social e II – A Revolução Industrial e a Sociologia

A sociologia veio a ser definida como uma ciência, a partir do século XIX, por um dos seus precursores Émile Durkeim (1859-1917), antes dele, o francês Augusto Comte, no seu curso de filosofia Positiva, em 1839, abordou questões sociológicas e, a partir de então, tradicionalmente, este é considerado o Pai da Sociologia. Porém, estudos sobre a sociedade humana começaram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.C.) em ‘A República’ e, com Aristóteles (384 – 322 a.C.) em ‘A Política’.

Desde o século V, o homem estuda a sua vida em sociedade, seus costumes, ações, cultura, comportamentos no seu papel social.

A sociologia não tem como objeto de estudo o homem na sua individualidade mas sim o coletivo. A ciência social busca identificar como as sociedades de formam, transformam-se e se diferenciam. Busca descobrir de que forma a conduta social é vivida de fato, não através do senso comum, mas através da ótica científica, investigando os fatos observáveis que ocorrem com alguma regularidade.

A sociologia analisa a interação social dos indivíduos e, para que haja ordem nesta interação faz-se necessária a socialização.

A socialização de um indivíduo no seu meio é o processo de internalização dos valores, costumes, crenças e atitudes que são repassadas pelas diversas instituições da sociedade, a exemplo da Família, Escola, Igreja, dentre outros grupos.

A fim de que estes ensinamentos permitam a inserção e aceitação do homem ao meio social, cooperando, fazendo o seu papel interagindo com o coletivo para manter o equilíbrio e a ordem social. Quando não há cooperação do indivíduo ao meio, desobedecendo às ordens, esta atitude é reprovada e como forma de reabilitação às regras, há punições.

Indivíduos na sociedade aceitam inconscientemente regras e condutas sociais, cumprindo-as involuntariamente. Porém, outros não concordam com a imposição para os moldes padrões da sociedade opressiva, e optam por lagar tudo.

Para isso, a sociedade cria mecanismos como “válvulas de escape” para que os indivíduos possam “extravasar” seus sentimentos, emoções nem que sejam por períodos momentaneos como festas, disputas esportivas, carnaval etc. A fim de dar vazão aos desejos e se sentirem ‘menos’ oprimidos.

Com a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, muitas transformações sociais ocorreram, fortalecendo para uma sociedade capitalista, deixando de lado os dogmas religiosos, valorizando a ciência, prevalecendo o espírito inventivo, a razão, dando início à era o Iluminismo, dar luz às ideias em detrimento à magia e o milagre.

A Igreja, antes Instituição controladora, passou ao Estado este papel de instituição centralizadora modificando as bases da sociedade, novos costumes, novas sanções para a organização social.

O sociólogo Augusto Comte era otimista com as transformações científicas. Acreditava que com a industrialização os problemas humanitários seriam atenuados.

Ao contrário de Karl Marx, as consequências das transformações econômicas para o trabalhador eram prejudiciais com a revolução industrial dando destaque para as lutas de classe.

Para Durkheim, as transformações sociais com a revolução industrial identificava a crescente divisão social do trabalho.

Weber destacou o aumento da burocracia na sociedade, a influência ascendente da Ética Protestante para o trabalho e questões da racionalidade preponderante no mundo.

Com a Revolução Industrial surgem novos atores sociais e instituições. Novos problemas também como o aumento do desemprego, visto que, aumentou o fluxo do êxodo rural para as cidades, a transferência de riquezas do campo para as cidades, fizeram gerar inúmeros problemas sociais urbanos como falta de moradia, saúde precária, falta de educação e desemprego.

Sociologia e Sociedade Pós Industrial, Uma Introdução – Carmo, Paulo Sérgio – 4º Capítulo – Émile Durkheim e o Equilíbrio Social

Émile Durkheim (1858-1917), socialista, francês, ao contrário de Marx, defendia a teoria de uma sociedade em equilíbrio sem conflitos de classes entre proletariados e burgueses. O equilíbrio da sociedade se dava em torno de ações solidárias em benefício a um corpo social, não somente a uma classe social em específico, nem muito menos ao interesse individual, visava sim o coletivo. A liberdade individual é limitada pelo coletivo, ou seja, “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.”, atribuída por muitas pessoas ao filósofo inglês Herbert Spencer, indica que a verdadeira liberdade respeita o próximo, e os seus direitos.

Os conceitos mais característicos das teorias de Durkheim quanto à sociedade e o equilíbrio social são: uma sociedade “coesa”, quando os indivíduos são capazes de assimilar hábitos, valores e costumes, quando há consenso e solidariedade. Na sociedade, somos educados, inicialmente, no seio familiar, onde naturalmente, os valores, costumes e crenças são ensinados. Ao sair de casa, o indivíduo passa praticar e internalizar as regras, as condutas nas diversas instituições sejam, na Escola, no Trabalho, na Igreja de forma a solidificar, perpetuar e reforçar uma homogenia necessária ao convívio com os demais indivíduos na sociedade.

Durkheim, denominava de “representações coletivas” as normas e condutas presentes na sociedade existem independente da vontade humana, são anteriores aos indivíduos e posteriores aos membros da sociedade, pois mesmo com a sua morte, elas perduram para as próximas gerações. Estas condutas e normas, coagem os indivíduos a viverem de acordo com os padrões aceitáveis, naturalmente, para o bem de todos, visando a organização social. Porém, nem todos os indivíduos seguem, cumprem com a continuidade das normas e condutas, descontinuando a harmonia na sociedade. Tratam-se de pessoas que tomam consciência e decidem quebrar paradigmas, descumprindo procedimentos e normas reprováveis pela grande maioria dos indivíduos da sociedade. Assim, transgridem causando desequilíbrio do organismo social, o crime, um atentado à harmonia. Daí, a necessidade de uma força coercitiva, “sanções sociais”, a fim de evitar e minimizar, os comportamentos desconformes, aplicando punição para que o indivíduo retome a agir e contribuir para o bem de todos. Quando a força coercitiva não atua a contento na busca da retomada do equilíbrio, abre-se margem para outros indivíduos transgredirem.

A partir da revolução industrial, a divisão do trabalho seriado, os trabalhadores passaram a ser especializados em parte de um todo, ou seja, a entender parte de um processo, como hoje identificamos na nossa sociedade, profissionais especializados em mecânica, médico especialista em joelho esquerdo, engenheiro civil, de pesca dentre uma infinidade de profissões especializadas, ou seja, diferente da sociedade onde os indivíduos praticavam a solidariedade mecânica, havia uma maior coesão nas tradições culturais, crenças e costumes. A partir da revolução industrial, as diferenças culturais e tradicionais sofrem alteração, passando a incorporar a solidariedade orgânica, onde os indivíduos necessitam das especialidades uns dos, ou seja, as classes se completam mutuamente, de forma coordenada e unificada.

“O papel dos esteriótipos jurídicos na divulgação do direito e da cidadania: uma abordagem crítica”, de Leonardo Mozdzenski

Desde a Antiguidade Clássica, Aristóteles identificou através da Arte Retórica que faz-se necessário um discurso para cada tipo de ouvinte.

A linguagem jurídica por sua vez tem característica legal e normativa é utilizada de forma técnica e restrita aos intelectuais da área. Ficando desta forma os cidadãos leigos a parte do conhecimento dos seus direitos e deveres por não compreender o discurso.

Como forma de inclusão, as cartilhas jurídicas surgem com a proposta de tornar o discurso jurídico mais atraente e acessível ao cidadão comum, procurando transformar o monótono texto técnico legal em um gênero descomplicado.

As Cartilhas Jurídicas surgem a partir da Era Vargas. Na década de 70, pesquisadores trazem o Contexto da linguagem jurídica através do Plain Language Moviment e, em 2005 a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) lança a Campanha Nacional pela Simplificação da Linguagem Jurídica visando aproximar a sociedade da justiça brasileira.

As cartilhas jurídicas são mecanismos de divulgação das informações legais, através de panfletos, revistas distribuídas e produzidas por instituições públicas e ou privadas como forma de disseminar conteúdos legais, tendo como foco, a inclusão, a democratização da linguagem ao cidadão comum.

Os ordenadores jurídicos, especialistas na arte do conhecimento jurídico, detém o poder das informações legais e termos normativos, há um monopólio do conhecimento técnico legal que é inacessível ao cidadão leigo.

Para Pereira (2001), compreender determinados termos jurídicos e seu contexto é que torna possível o efetivo exercício da cidadania. As leis transitam entre universos distintos de usuários e, deveriam, consequentemente, ser acessíveis a todos. As cartilhas jurídicas surgem com a proposta de informar, transformar o texto normativo técnico em um texto mais acessível, de fácil compreensão porém, a democratização da linguagem jurídica simula uma falsa inclusão e cria os estereótipos normativos.

O Direito é um dos campos do conhecimento que mais interessa à sociedade, uma vez que é a ordem jurídica que proíbe, obriga ou permite certas ações e, quando há transgressão, por consequência o condenamento. Assim sendo, as cartilhas são consideradas facas de dois gumes visto que, o discurso “democratizado”, por ser simplista, elimina muitos marcadores jurídicos, o que vem a deixar o discurso aparente, artificial e supérfluo, na verdade não informa a contento ao cidadão leigo acerca dos seus direitos e deveres. Cria-se um estereótipo, onde o ordenamento jurídico mantém o tutelar conhecimento ante os demais cidadãos não operadores do direito, levando-os a aceitar opiniões generalizadas em consonância com o sistema dos valores dominantes.

A democratização da linguagem jurídica não é muito bem aceita por toda a classe jurídica. Setores que apoiam a flexibilização da linguagem e, são favoráveis às cartilhas jurídicas veem como uma forma de inclusão de cidadãos às informações legais de forma clara, ilustrativa e descomplicada.

Os efeitos sociais das cartilhas jurídicas seria uma forma de cidadania, porém elas podem ser identificadas como um mecanismo de distanciamento do cidadão leigo da classe jurídica, pois são superficiais e vagas, não há clareza quanto aos responsáveis no processo das garantias dos direitos, conforme Leonardo Mozdzenski: “os esteriótipos construídos a partir de valores jurídicos dominantes operam para dissimular ou ocultar as diferenças e embates inerentes à sociedade”.

No sistema capitalista, uma das principais características da sociedade além da divisão das classes sociais e o consumo é a propriedade particular. Por meio da propriedade, há produção em larga escala, realizada pelos operários e demais categorias profissionais, resultando em produtos que serão consumidos pela sociedade, gerando impostos que se revertem em prol melhorias sociais, reforçando a estrutura social capitalista.

Desta forma, no sistema capitalista, todos têm direito à propriedade? Pode-se dizer que há um estereótipo que se apresenta no discurso jurídico com a ideia de igualdade ou de democracia, efeito de verdade cristalizado na cultura como valor universal aceito pela sociedade. O discurso democrático, estereotipado nas cartilhas jurídicas na verdade, oculta quem deve dar este direito. Como posso ter esse direito? Ou seja, o estereótipo dissimula que todos tem direito porém, as desigualdades sociais são tão profundas e resultantes do sistema dominante, ricos, pobres, privilegiados e excluídos.

Desta maneira, as normas jurídicas podem influenciar na condução das ações de acordo com os interesses dos donos do poder social, quer seja o Estado, Governo, instituição, pois os textos são permeados de definições persuasivas, usados com técnicas de manipulação da linguagem, onde os estereótipos são camuflados de forma legítima.

A função dos esteriótipos normativos é de levar o ouvinte a aceitar opiniões generalizadas em consonância com o sistema de valores dominantes, ou seja, há uma manipulação das informações a serem digeridas, o efeito de sentido construído pelo esteriótipo produz uma evidência tal de verdade, que se revela difícil de questionar.

Conforme o texto, p. 109, Warat (1995) Há nos estereótipos a existência de dois fenômenos típicos: a dissimulação e a ocultação. A dissimulação enfatiza os aspectos presumivelmente positivos e aceitáveis dessa situação, substituindo os complexos problemas sociais por valores jurídicos estereotipados como igualdade e democracia.

No filme Chicago, a personagem Roxie busca o sucesso sem limites, pratica um assassinato, vai presa e se condenada, terá pena por enforcamento. Porém, juntamente ao seu advogado, a Roxie tem a sua vida deturpada e simulada para ser aceita na sociedade, trazendo um passado que não existiu e passa a ser uma celebridade por parte da mídia, pois são assuntos que interessam à sociedade, a vida e o comportamento das pessoas para “justificar” determinados atos, ou seja, um crime virou um espetáculo. A dissimulação do advogado, junto à Roxie (assassina) e a imprensa contribuíram para o veredicto final, onde a ré é absolvida devido à fábula desenvolvida.

As fábulas são os resultados dos efeitos construídos por noções jurídicas estereotipadas e consiste na apresentação de termos ou enunciados com o único objetivo de fazer crer em determinadas situações inexistentes. Mais do que uma falsidade é uma ficção, ou seja, através dos atos fabuladores – comuns na vida social para encobrir as transgressões às convenções da ordem vigente –, juristas, legisladores e operadores da lei fazem crer na realidade substancial de certas instituições (governo, povo, justiça, etc.) e na racionalidade intrínseca do Direito.

No filme Chicago, o advogado da Roxie recria a história da sua cliente a fim de comover o público através da mídia, desta forma, recria histórias fabulosas sobre a criminosa levando ao público uma mentira, ou seja, uma fábula, uma celebridade fajuta.

Do mesmo modo, a invasão dos EUA ao Iraque, nesta missão, a mídia teve um papel fundamental em desenvolver e disseminar fábulas através da propaganda, documentários, entrevistas etc, trazendo justificativas para o bem comum e os riscos que aquela sociedade estava correndo, caso o Iraque não fosse invadido. Muitas ideias foram veiculadas, um dos discursos era que o Iraque dispunha de armas de efeitos massivos e que seriam uma grande ameaça ao poderio americano. A situação é considerada como um ato fabulador, visto que, haviam outros interesses ocultos à invasão, como a derrubada do ditador Sadam Hussein, o controle das reservas de petróleo deste país dentre outros.

Ainda sobre os estereótipos normativos, citamos como exemplo: a liberdade, a segurança, a cidadania, a democracia, a educação quando apresentados em forma discursos democrático nas cartilhas jurídicas, levam o leitor a situações da sua realidade social, crenças, valores, cujo intuito é produzir relações associativas, levando-os a aceitar a realidade ali apresentada. Exemplos: Quem educa e educado na realidade? Quem é o responsável pela segurança?

De acordo com Fairclough (2001), os participantes dos processos são ofuscados nas cartilhas jurídicas, onde o verbo é convertido em substantivo, consiste na nominalização, isto é, transformar ações concretas em abstratas, ocultando a causalidade e a responsabilidade do agente.

Por exemplo, a aprovação da PEC 171 o estereótipo normativo “passa” para a sociedade a ideia que a paz será estabelecida, pois gera a saber:

a) A ideia que a ordem jurídica fornece segurança aos cidadãos;

b) A noção de que o sistema de direito positivo é garantia da paz social;

c) A superação dos sistemas sociais dentro de um marco de pequenos conflitos;

d) transformação da força em legalidade e da dominação em dever.

Na realidade, é sabido que não é reduzindo a maioridade penal que a violência e o crime serão reduzidos, são diversos fatores que estão envolvidos na questão, como educação, desigualdades sociais, violência familiar dentre outros.

Assim sendo, as cartilhas jurídicas têm uma característica, de acordo com Fairclough (2001), a nominalização, ou seja, um verbo é convertido em um substantivo, desta forma, as nominalizações transformam ações e processos concretos em abstratos, ofuscando a causalidade e a responsabilidade do agente, ou seja, nas cartilhas jurídicas os agentes nos processos jurídicos são omitidos de suas responsabilidades.

Identificar nas cartilhas jurídicas o efetivo exercício da cidadania é mais um estereótipo visto que o leitor, tem “acesso” às informações jurídicas de forma muito superficial, pois não identifica as devidas responsabilidades, conforme nominalização dos atores, o que faz permanecer o fosso que há entre os detentores do domínio jurídico, elite especializada e os cidadãos leigos.

Filme: O Nome da Rosa

O Nome da Rosa, título original – Il nome della rosa, é um filme de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud, baseado no romance homônimo do Escritor Italiano Humberto Eco, tem um Gênero detetive romance histórico, século XIV – 1327.

Sobre Umberto Eco, nasceu em 1932 em Alexandria – Itália, era escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo, escreveu diversas obras como “Baudolino”, “Número Zero”, “O cemitério de Praga”,”A Ilha do Dia Anterior”, dentre outros títulos muito bem aclamados pela crítica. O Escritor faleceu em Fev/2016 – Milão – Itália.

O filme “O Nome da Rosa” é baseado na obra do Escritor Umberto Eco, o qual se passa no Sec. XIV, ano 1327, no norte da Itália, tendo como protagonistas principais o monge Franciscano Guilherme de Baskerville (William de Baskerville), acompanhado de noviço Adson de Melk. Ambos seguem para uma abadia Beneditina para contornar conflitos de ordens religiosas e ao chegar ao destino percebem que diversas mortes têm acontecido no local e, a partir de então, passam a investigar os motivos reais de monges Beneditinos morrerem misteriosamente.

A ordem Franciscana da qual Guilherme de Baskerville fazia parte, defendia que o clero não deveria dispor de riquezas, tanto é que a obra “A pobreza do Clero”, do monge Ubertino de Casall, da citada ordem, não era bem-vista pelo Palácio Papal.

Os motivos das mortes na abadia eram atribuídas pelos monges beneditinos ao anticristo, ao demônio, porém Guilherme de Baskerville e Adson tinham um grande mistério a desvendar: Investigar, de forma racional, quais os verdadeiros fatos das mortes que ocorriam na Abadia.

A Abadia era conhecida por ter uma vasta biblioteca, a maior da cristandade. Porém, os monges copistas e tradutores não tinham acesso a toda e qualquer obra, somente o bibliotecário tinha acesso a todos os livros, pois a ordem beneditina defendia que aqueles que aumentassem o seu saber, aumentariam o seu sofrimento.

Esta ordem era fortemente conservadora às ideias racionalistas. Para eles, a fé estava acima da razão, por este motivo, os monges somente deveriam ter acesso a livros de teor teológico, pois todas as demais obras além do plano teológico eram tidas como hereges, visto que, a dúvida é inimiga da fé.

Guilherme de Baskerville era bastante inteligente e racional, demonstrava admirador e defensor das ideias de Aristóteles. Não compreendia, nem aceitava o fato de a proibição do riso na abadia e questionava o monge Beneditino que defendia que as “ideias podem fazer duvidar da infalibilidade da palavra de Deus” e para este, a dúvida é inimiga da fé. Guilherme contestava citando a 2ª obra de Aristóteles a comédia “A Poética” como instrumento da verdade. Defendia que ninguém poderia ser proibido de consultar livros.

Pois bem, as mortes continuavam a acontecer na abadia e de acordo com as investigações de Guilherme e seu noviço concluíram que as vítimas tinham em comum as mesmas características como: língua e dedo anelar marcados por uma substância escura, uma espécie de veneno, visto que, os monges ao lerem a obra proibida, utilizavam a língua para molhar o dedo e facilitar a passagem das páginas. Com este gesto, envenenavam-se.

A obra foi, intencionalmente, marcada com veneno nas bordas de cada folha, para que todos que a lessem deveriam morrem, desta maneira, evitaria a disseminação das ideias de teor além do teológico como também, questionamentos da doutrina cristã.

Guilherme e Adson descobriram a biblioteca secreta e, uma infinidade de acervos proibidos pela igreja.

Neste ínterim de suspenses e assassinatos, o jovem noviço Adson, na busca de pistas para desvendar os crimes, esconde-se de uma perseguição. No mesmo local, encontra-se uma linda camponesa que também estava às escondidas, fugindo para não ser violentada por um rude monge. Num clima de medo e descobertas acabam instintamente seduzidos um pelo outro e, neste momento, o jovem Adson tem a sua primeira e única experiência dos prazeres da carne. Assim, conhece o amor. Não o amor Tomasiano, voltado a Deus mais o amor que nunca havia sentido.

A santa inquisição chega à Abadia para avaliar os fatos que estão ocorrendo e concluem que existem práticas de feitiçaria supostamente realizadas pela camponesa (amor do Adson) e pelo Salvatore (corcunda que vivia na abadia). Como também, condenam um monge beneditino por práticas hereges.

No momento da condenação, tem-se a frente o inquisidor o Bernado Gui, na qual a ideia de justiça era que todos deveriam concordar com a acusação de heresia, pois a fé estava acima da razão. Qualquer um, que discordasse da acusação, era tido como herege, deveria confessar e, ser levado à fogueira. Todos teriam que concordar e votar pela obediência à santa inquisição sob pena de ser excomungado. Assim como, deveriam também auxiliar o inquisidor em sua luta dolorosa contra a heresia. No momento da condenação, o inquisidor fazia sorteio entre os clérigos para o auxiliarem e compartilharem o fardo do veredicto.

Dentre os sorteados, Guilherme era um dos que auxiliariam o inquisidor na condenação. Missão difícil para ele, visto que no passado, já fora um inquisidor. À época, a função da Santa Inquisição era de orientar e não de castigar. Lembrou-se que no passado, inocentou um homem que traduziu um livro grego que confrontava com ideias da igreja. Por essa atitude, Guilherme foi levado à prisão, torturado e ao fim da sua condenação, retratou-se. O homem (O tradutor) foi condenado.

A história se repetia com mais um julgamento da Santa Inquisição, estando à frente Bernardo Gui, tendo como auxiliar, Guilherme que conhecia o verdadeiro motivo pelo qual as mortes aconteciam na abadia, e por sua razão, não condenaria aquelas pessoas por práticas hereges, feitiçaria, pois o verdadeiro motivo das mortes era devido ao envenenamento dos monges que tinham acesso à leitura do livro “A Poética” de Aristóteles.

Por uma confusão que instalou-se no recinto, Guilherme e o Adson conseguiram escapar da sala e seguiram até a biblioteca secreta. Chegando lá, encontraram o monge cego, responsável pela abadia. Trava-se neste momento um embate de ideias e discussões e num dado momento, o monge cego joga o seu candieiro sobre os livros, dando início a um incêndio que devastou toda a biblioteca.

O noviço Adson conseguiu escapar e, após um longo suspense, Guilherme também foge das chamas, ileso e com alguns exemplares que conseguiu salvar do fogo devastador.

Os representantes do Palácio Papal, ante as chamas da torre da Abadia, assustaram-se com a situação, como também temiam porque muitos camponeses aproximavam-se de forma hostil para com eles devido à condenação de uma camponesa do grupo que estava prestes a ser queimada. A situação fez com que eles fugissem e na fuga, a carruagem dos inquisidores, capota, levando-os a morte.

Neste ínterim, dos três condenados à fogueira, a camponesa foi a única que não foi queimada devido às circunstâncias da fuga dos inquisidores.

No dia seguinte, Guilherme e Adson deixam a abadia e, na saída, a camponesa os encontra no caminho. Adson e ela entreolham-se e, sem expressar uma só palavra, despedem-se sem sequer saber o nome daquela que permeava os seus pensamentos, sem saber “O nome da rosa”.

A meu ver o filme O Nome da Rosa é um filme muito interessante, a cada vez que o assisto, percebo nuances outrora não identificadas. É um filme instigante, que nos traz muitos fatos da história, como o poder da igreja, o acesso às informações, a obras privilegiadas ou por que não dizer “hereges”, visto que tratavam-se de potenciais ameaças ao poder teológico instituído. Poder este que dizimou muitas vidas ao longo da história e que, ainda hoje se mata em nome de Deus.

La Reine Margot

O Filme A Rainha Margô, do título original La Reine Margot, do gênero – Drama, foi baseado no romance de Alexandre Dumas1, adaptado fielmente para o cinema pelo diretor Patrice Chéreau, em 1994 e indicado ao Oscar em 1995.

A história se passa em Paris, no ano 1572, onde as guerras religiosas entre católicos e protestantes eram constantes. Os países na Europa estavam divididos entre monarquias católicas e protestantes e ao longo dos anos, na busca do fortalecimento do poder, matavam-se, enfrentavam-se, em nome de Deus.

Neste cenário, Paris, de religião predominantemente católica, tinha como representante figurativo Carlos IX que, tornou-se rei aos dez anos de idade. Era filho do rei Henrique II com Catherine de Médeci.

O Rei Carlos IX era um rei proforme, visto que as diretrizes do reino eram determinadas por sua mãe, que tinha além dele, mais dois filhos sucessores ao reino e, Margot (Margarida de Valois).

A Rainha Catherine de Médice em busca de propor a paz no reino, decide fazer um pacto com o seu primo, o rei Henrique de Navarra (protestante) a casar-se com a sua filha Margot.

A proposta foi aceita e, no dia 18 de agosto daquele ano, milhares de protestantes invadiram a cidade para as festas de casamento do rei Henrique de Navarra com a Rainha Margot, onde claramente, distinguiam-se protestantes e católicos pois, aqueles vestiam-se de preto, tanto devido a religião como também, para demonstrar desaprovação e sentimento de velório pela circunstância.

A rainha Catherine de Médice atenta às ameaças ao seu reino, desaprovava a aproximação do seu filho, o rei Carlos IX com o protestante Almirante Coligny, pois aquele nutria por este uma verdadeira confiança, considerava-o um segundo pai. Assim sendo, a rainha Catherine ordena que Coligny seja assassinado.

O assassinato foi frustrado, vindo a Coligny ser somente ferido porém, isto foi o estopim para o início do massacre pois, a partir deste episódio, os protestantes perceberam a ameaça gerando uma grande revolta.

1Alexandre Dumas conhecido como Alexandre Dumas, Pai foi um romancista francês. Nasceu na região de Aisne, próximo a Paris. Era neto do marquês Alexandre Antoine Davy de la Pailleterie e de uma escrava negra, Marie-Césette Dumas.

O casamento de Margot, símbolo de paz e reconciliação, vai servir para deflagrar o maior massacre da história da França. O episódio ficou conhecido como a noite de São Bartolomeu, o que resultou na morte de mais de seis mil pessoas entre católicos e protestantes, a cidade virou um cemitério só de pessoas que deram a sua vida pela religião.

Após os massacres, poucos protestantes sobraram dentre eles o conde Joseph La Môle, que era conhecido como amante de Margot, mesmo ferido, conseguiu ir para Amsterdan. E, o Rei Henrique que junto a Margot ficaram vivendo “presos” no Louvre.

Neste ínterim, a Rainha Catherine tinha um enorme desejo que o seu filho Duque d’Anjou se tornasse o rei da França. Assim, tentou-se numa caçada, forjar a morte do Rei Carlos IX. Sem sucesso, pois o Rei Henrique de Navarra conseguiu evitar a trama. Desta forma, este conseguiu a confiança do rei Carlos IX.

A Rainha Catherine, junto ao seu filho Duque d’Anjou mandaram que fosse colocado veneno às páginas do livro escrito por Leyrac de La Môle, na tentativa que o rei Henrique o lesse porém, o seu filho, duque de Alençon, 2º na linha sucessorial, deixou-o no quarto para o Rei Carlos IX. Este, caiu na armadilha, leu o livro e, dias depois morreu envenenado.

Várias foram as tentativas de assassinar o Rei Henrique de Navarra, porém devido à sua amizade com Carlos IX, antes da sua morte, conseguiu autorização para voltar à sua terra, desde que, convertesse-se ao catolicismo, assim, o fez.

O seu irmão Duque d’Anjou sucedeu ao trono de Carlos IX e tornou-se o Rei Henrique III. Reinou quatorze anos até ser assassinado.

Henrique de Boubom (Navarra) sucedeu a Henrique III, sendo considerado o rei mais amado da França.

Margot morreu aos 68 anos, embora divorciada de Henrique, o pacto que fizeram nunca foi descumprido, continuaram amigos.

A meu ver o filme A Rainha Margot é um filme muito interessante, permeados de história, nudes, incestos, massacres do fim da idade média, mostra de forma figurada um dos episódios mais tristes da história da França, que ficou conhecido como a noite de São Bartolomeu. As guerras travadas entre os católicos e protestantes (Hugnotes) perduraram por muito tempo e, ainda hoje mata-se em nome de Deus, em nome de Alá, em nome dos ídolos que a sociedade acredita.

Os fatos vão se repetindo na história, mesmo no mundo contemporâneo, guerras são travadas em prol da manutenção do poder, em defesa de crenças ideológicas que vão moldando o mundo ao seu tempo, seja qual o interesse, o homem defende e ataca de acordo com as circunstâncias sejam defendendo território, em busca de água, pela paz, por uma ideologia, o certo é que o homem desde o estado de natureza luta em prol dos seus interesses, isto é a humanidade!!

Atores principais:

Margot –

Isabelle Adjani

Henri de Navarre (Bourbom) –

Daniel Auteuil

La Môle –

Vicente Peres

Catherine de Médice –

Virna Lisi

Duque D’Anjou –

Palcal Greggory

Coligny –

Jean-Claude Brialy

Carlos IX –

Jean-Huges Anglade